Tem patê?
by
Alisson William Corrêa
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causos do alisson
Mais um dia na escola estava quase acabando e estávamos na pausa nos preparando para a última aula da quinta-feira.
Depois de termos trabalhado de manhã e à tarde, a diretora propôs que eu fosse ao mercado buscar umas torradinhas e patê para um lanchinho que ela já estava passando um café. Quando ouvi falar no bendito do patê já fiquei com vontade, uma vez que eu achava que era uma coisa mega chique e eu ainda não tinha experimentado. A diretora disse para eu ir lá buscar e emendou pedindo se eu sabia o que era patê para ver se eu conseguiria achá-lo no mercado. Na hora eu não pensei em falar que eu não sabia porque ela falou em um tom que deixava claro que isso era algo super comum e que ela sempre comia, não queria ficar para trás nessa. Tomei coragem, pedi como se chegava ao tal mercado, deixando claro que me perco inclusive na cidadezinha que moro há 12 anos. Ela me explicou e custei a entender, pois a escola era em outra cidade, a qual eu não frequentava. Fui na minha jornada em rumo a garantir a nossa comilança. Saí caminhando e dentro de cinco minutos eu estava na frente do mercado, não conseguia parar de rir de mim com medo de me perder no caminho, sendo que era só seguir em linha reta. Ao entrar no mercado, fui ao setor de frios e me coloquei na função de procurar o sonhado patê. Depois de 10 minutos procurando, percebi o olhar das pessoas a minha volta achando que eu não sabia ler para encontrar o produto. Resolvi pedir a um senhor com a camisa de uniforme do mercado: "Senhor, tem patê?". Ele disse que não sabia e que era para eu me informar com outra funcionária mais à frente no corredor. Fui em direção à funcionária e perguntei: "Moça, tem patê?". Ela me encarou e respondeu de forma espontânea: "É pá tê!". Então ela e sua colega caíram na risada e eu as acompanhei nas gargalhadas. Ela me levou ao setor dos frios novamente e percebeu que o produto estava em falta. Eu agradeci e, mesmo desapontado, fui procurar as torradas e peguei uma geleia para passar nelas. Achando que eu já havia aprontado todas das minhas artes, fui ao caixa para pagar a compra. Não conseguia parar de pensar no patê e em como dizer para a diretora que demorei tanto e não consegui o bendito. Enquanto eu me perdia em pensamentos, a atendente disse: "Obrigada, senhor, volte sempre!", então eu a agradeci também e fui saindo do mercado. Quando cheguei na porta, comecei a ouvir: "Moço, moço, vem aqui." Voltei para ver o que estava acontecendo e ela me disse: "Você esqueceu de levar as suas compras". Todo sem jeito, eu dei uma gargalhada e peguei a sacola. Você já pensou como eu explicaria para a diretora a demora, a ausência do patê e o esquecimento das comprar se ela não tivesse me chamado?
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